A Mosca na Sopa

sutilezas de um cotidiano incomum

Wednesday, August 13, 2008

Lei Seca - Outdoors pra lá de bizarros...

Esse está na Marginal Tietê, já quase no começo da Rod. Ayrton Senna. O mesmo camarada que criticava a imprensa, que reclamou que o prefeito Kassab tirou os cartazes da cidade, agora aplaude o governo federal pela lei que proíbe dirigir com álcool nas veias... É mole?



Só pra não perder o hábito, mais um cartazinho simpático: uma lição rápida da teologia pós-moderna do caos...



Esse estava no começo da Rod. Dutra, saindo de São Paulo.

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Thursday, March 06, 2008

Uma homenagem (não muito convencional) às mulheres...




Comemorando o Dia da Internacional da Mulher, nada melhor que uma homenagem singela e poética. O problema é o tempo que a gente leva pra entender o que o camarada quis dizer com a frase...

Foto tirada em um canteiro de obras da Av. Koeler, cidade de Petrópolis - Rio de Janeiro

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Tuesday, January 01, 2008

Escarradas de Sabedoria (07)

NÃO MEXAM. FÉ DO POVO.

Estamos aí às voltas com uma lei que proíbe os outdoors na cidade de São Paulo. O projeto prevê que a partir do início de 2007 a cidade estará limpa, com multas pesadas para quem desobedecer. Coisas de Kassab.

Não estou certo se foi essa a razão da revolta do povo do marketing neo-crente, só sei que a cidade está em pé de guerra...

A imagem abaixo é de um cartaz que está na Ligação Leste-Oeste, perto do Glicério. A foto é de 21 de outubro de 2006. Vozes do além clamam pela manutenção dos outdoors...
DEIXEM É POVO. MEUS OUTDOORS.

Nesse mesmo dia, passei pela Marginal Tietê, perto do Anhembi, e registrei os demais cartazes deste post. Impressionante a agressividade e a mistureba generalizada. FÉ DO POVO! NÃO MEXAM! O problema é que a gente já sabe que fé demais não cheira bem...

MEU NOME PAINÉIS ARRANCARAM
INCIRCUNCISOS MEU TEMPO JULGO TODOS

Mais alguns...
Imprensa seduz
Esquerda, direita, fica tonto

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Sunday, November 04, 2007

Sem meias palavras...



O camarada aí estava no centro de São Paulo, comecinho da Av. Prestes Maia, saída do Túnel do Anhangabaú.

Tuesday, September 11, 2007

Afinal de contas, São Miguel Arcanjo está pisando na cabeça de quem?

Viajar pelo Brasil é sempre muito bom. Além de conhecer aquilo que a gente vê nos guias de viagem, na TV e nos livros, aparece sempre alguma coisa nova e pitoresca, detalhes interessantes que vale a pena registrar. As cidades históricas de Minas Gerais são um exemplo dessa riqueza.

Ouro Preto tem igrejas e museus imperdíveis, e outros pontos menos conhecidos, talvez meio esquecidos até. A Igreja São Franciso de Paula é um desses pontos turísticos "secundários" de Ouro Preto. A Igreja fica ligeiramente afastada do centro histórico, mas nada que uma boa caminhada não resolva. A construção é simples, e está bem prejudicada pela péssima conservação -- mas isso é assunto pra outro dia.
O que me chamou a atenção nessa igreja foi uma imagem de São Miguel Arcanjo, localizada na lateral do templo.

Conforme os estudos religiosos cristãos, tanto no catolicismo quanto no protestantismo, houve, certa vez, uma batalha no céu, envolvendo anjos e demônios. (Naquele tempo não eram os pregadores ferozes que enfrentavam os demônios, eram os anjos mesmo...) Nessa batalha, destacou-se a figura de São Miguel Arcanjo. Segundo a lenda, São Miguel enfrentou diretamente o diabo, derrotando-o definitivamente. Por essa participação especial, alguns consideram que São Miguel personifique o próprio Cristo.

Com todo esse curriculum, é natural que os artistas tenham retratado São Miguel e sua participação na batalha contra Satanás. Em geral, o que se vê são os traços comuns às imagens religiosas: ora um personagem forte, ora um jovem delicado.
O diabo também é retratado da forma mais usual, às vezes com chifres na testa, e em alguns casos como dragão. Nada muito além disso.
A Wikipedia traz uma série de referências interessantes sobre a figura de São Miguel Arcanjo.


Mas o que surpreende o visitante que chega à Igreja São Francisco de Paula, em Ouro Preto? Pra quem gosta de encontrar mensagens subliminares em tudo que é coisa, nem vai precisar fazer muita força...

A construção da igreja foi iniciada em 1804 (auge do uso de mão-de-obra escrava na mineração do ouro), e só foi considerada concluída em 1878. Desde o final do século XVIII, muitos escravos já eram capazes de comprar suas cartas de alforria, em virtude das economias que conseguiam fazer ao longo da vida. Eram os primeiros movimentos na direção de uma consciência abolicionista. Ao longo do século XIX diversos passos foram dados no sentido de acabar com o absurdo da escravidão, culminando com a Lei Áurea. Infelizmente, as cartas de alforria e, posteriormente, a libertação, não eram suficientes para oferecer dignidade ao negro ex-escravo.

Certamente isso foi consequência da postura preconceituosa dos grupos dominantes da época, incluindo aí os financiadores de obras de construção das igrejas, que já se preocupavam em montar "estratégias convincentes" para segregar o negro, colocando-o à margem da sociedade. Nesse sentido, nada mais conveniente que oferecer aos fiéis um Lúcifer negro.



Num ambiente que deveria ser voltado à devoção, um golpe de preconceito e falta de humanidade. E assim caminhava a sociedade brasileira, um passo para frente, vários passos para trás.


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